Após a repercussão da reportagem sobre a investigação do Ministério Público e Polícia Civil contra maus tratos aos internos do asilo Lar Pai Abraão, em Colatina. A redação do Jornal Regionalidades recebeu diversas denúncias em nossos canais de comunicação com o leitor.

De acordo com informações de uma denúncia anônima, Liliane Gonçalves, atual diretora do Asilo Pai Abraão pretende passar a direção da entidade para sua mãe, que por sua vez, segundo as denúncias é conivente com os fatos.

Publicidade Publicidade

“Esta mulher não pode assumir o asilo, parte do dinheiro dos idosos foram diretamente para a conta dela, não pode porque vai continuar tudo a mesma coisa. E ela recebe R$ 3.600,00 reais de salário do asilo”, diz parte do trecho, da denúncia.

A reportagem entrou em contato com Liliane e sua mãe, Lenir Gonçalves, mas não obteve retorno.

O jornal também teve acesso nesta sexta-feira (20) a documentos, registros de boletim de ocorrência, vídeos e até mesmo registros de conversas, que para a polícia pode ser a chave de ouro de toda a investigação.

A cuidadora Neidimara Ferreira Benfica, de 52 anos, que atuou por pelo menos 11 anos no Lar Pai Abraão, disse que preferiu abandonar o emprego na entidade porque já não aguentava mais conviver com as situações de abandono e maus tratos.

“Resolvi denunciar vários atos errados e maus tratos com os vovôs que estavam ali, onde deveriam receber da atual administração um atendimento exemplar e humano, mas estão recebendo mal vontade e abandono diário”, contou a cuidadora.

Neide, que é como prefere ser chamada, disse também a redação que sua criação foi o que a motivou “lutar” pelos idosos do asilo.

“Minha primeira denúncia foi em junho de 2018, quando tomei coragem e fui até a delegacia. Lá relatei tudo que estava acontecendo no asilo, foi a partir daí que as coisas começaram a ficar ainda mais difícil de tal forma que o asilo já não me comportava mais”, lembrou.

“Eu não podia deixar de fazer a denúncia, foi pelos vovôs que vivem lá e pelas injustiças que fazem com eles”, disse a cuidadora

Emocionada, Neidimara contou a reportagem que trabalhava no local por escala e na maioria das vezes em que se apresentava ao posto de trabalho encontrava uma idosa por nome de Marta [que para ela era o caso mais crítico] sempre dopada e sem alimentação.

“Era sem condições, eu sabia que ela estava sem comida o dia todo porque no almoço era comida mais reforçada, na janta sempre era algum tipo de sopa, então a menina que trabalha nos dias opostos aos meus dizia: olha, na hora que a Marta acordar oferece comida a ela pois ela ainda não jantou. Depois que eu ouvia isso, logo olhava a geladeira e a comida do almoço dela ainda estava lá arrumada, ou seja, ela não havia se alimentado? Sem contar as mais diversas vezes em que ela já estava toda mijada na cama”, relatou.

Neide também contou que chegou a ter que chamar o corpo de bombeiros para auxiliar na condução da residente Marta até ao hospital, foi também aí que o militar do corpo de bombeiros acionou a PM.

De acordo com os documentos que o Jornal Regionalidades teve acesso, foi denunciado à polícia a ausência de veículos da entidade usados como ambulância, uma motocicleta Honda/Biz, falta de alimentação no abrigo, medicamentos, maus tratos no atendimento.

Na denúncia também é solicitada a investigação do espaço físico do imóvel e até mesmo de funcionários fantasmas.

No vídeo a qual a redação teve acesso, um dos idosos mais conhecido como Gastão relata como é o dia a dia no local.

“O dia a dia é muito triste, por várias vezes idosos são maltratados com abandono por parte da administração, onde ficam caídos no chão por horas sem atendimento”, concluiu.

Empréstimos sem autorização

A irmã e tutora legal de outro idoso que estava internado no Lar Pai Abraão pediu para não ser identificada, mas contou que após tirar o irmão do asilo foi receber seu pagamento de aposentadoria, mas não havia conseguido no momento devido a altas dívidas junto ao banco.

“Fui no banco sacar o pagamento e ele não foi liberado, depois de correr para lá e para cá o gerente do banco disse que havia um empréstimo parcelado em mais de 70 vezes, em nome do seu irmão”, lembrou.

“Ao procurar a Defensoria Pública, fui orientada a denunciá-la na delegacia. Tempos depois ela teve que ir junto comigo ao banco e pagar toda dívida à vista”, explicou.

Ouça o áudio onde dois idosos do Lar Pai Abraão relatam suas condições de vida na entidade.

O áudio foi extraído do vídeo gravado de dentro do Asilo Pai Abraão [que também se encontra em poder da polícia]. A reportagem se reservou no direito de não divulgar as imagens do vídeo para preservar a identidade dos idosos.

—————————

A reportagem do Jornal Regionalidades continua acompanhando o caso. Se você é parente de alguma das vítimas, entre em contato conosco pelo link do WhatsApp http://bit.ly/2mkA1YT

Comentários no Facebook