O câncer colorretal, mais conhecido como câncer de intestino, foi o segundo mais frequente no país em 2020, de acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Apesar de ser uma doença silenciosa, se diagnosticada de forma preventiva apresenta altas taxas de cura. Durante a reunião virtual da Comissão de Saúde desta terça-feira (23), a médica gastroenterologista Roseane Valéria Bicalho Ferreira Assis falou sobre a doença e destacou a necessidade de investimento em prevenção e rastreamento.
“O câncer geralmente ocorre na parte do intestino grosso e se inicia com pequenos pólipos. O desenvolvimento de um pólipo para um câncer ocorre de forma cumulativa, ao longo de cinco, até dez anos. Isso significa que temos tempo para diagnosticar e rastrear a doença. Inclusive, se a doença estiver localizada, a chance de cura é de 90%”, destacou a especialista.
De acordo com os dados apresentados, nos últimos dois anos houve um aumento de 12,76% na incidência desse tipo de câncer no país. Para os homens, o registro da doença fica atrás somente do câncer de próstata. Para as mulheres, é o segundo mais frequente, depois do câncer de mama.
Com relação à gravidade, o câncer de intestino é o terceiro em mortalidade e essas taxas apresentaram ascendência nos últimos anos. No Brasil, a Região Sudeste concentra 60% dos registros desse câncer. Para a médica, esse número tem uma relação direta com o estilo de vida, alimentação e peso, além de outros fatores específicos, como histórico familiar.
“É preciso dizer que o histórico familiar é um fator importante, mas que 70% dos casos ocorrem em pessoas que não têm esse histórico. Também precisamos falar sobre a faixa etária. Estudos internacionais apontam para um aumento da incidência da doença em pacientes mais jovens, com menos de 45 anos. A medicina já discute a revisão da idade para se começar a fazer exames preventivos. Hoje, todos os pacientes com mais de 50 anos são considerados de risco médio e devem começar um programa de prevenção”, sublinhou.
Proposta de rastreamento
A médica apresentou uma proposta de rastreamento de prevenção ao câncer colorretal, método de triagem que reduz em 20% a mortalidade dos pacientes. “Esse tipo de rastreamento representa 38% das 14 milhões de colonoscopias realizadas anualmente nos Estados Unidos”, contou.
O principal exame para diagnóstico da doença é a colonoscopia, um procedimento considerado de alto custo. Mas existem outras formas de rastrear o câncer. “A colonoscopia é um método eficaz. Inclusive, se for um câncer em estágio bem inicial, no próprio exame nós já conseguimos retirar. Mas esse procedimento tem um custo alto se for pensado dentro de um programa mais amplo. A proposta é que esse exame seja realizado apenas em pacientes considerados de alto risco, com histórico familiar e idade, por exemplo. Nos outros pacientes, podemos é usar de forma muito eficaz uma estratégia de rastreio por meio de exames periódicos de presença de sangue oculto nas fezes”, disse Roseane Bicalho.
Outro ponto da proposta é trabalhar junto com a comunidade médica em uma perspectiva de educação continuada. “Nós precisamos de um serviço de especialidade. Fazer um exame de colonoscopia com um médico que não tem especialidade é deixar passar a oportunidade de fazer diagnóstico preciso e salvar vidas. Nós vemos muitos erros de procedimentos, exames desnecessários, por exemplo”, explicou.
O deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB), proponente da reunião no colegiado de Saúde, destacou a importância de um trabalho junto com a comunidade médica que atua na rede pública de saúde.
“Os profissionais da saúde que estão no programa de saúde da família, nas unidades de saúde, nos serviços municipais, precisam ter informação e qualificação sobre essa doença, sobre os protocolos e critérios. É uma doença ascendente, mas nós temos o privilégio de poder prevenir e trabalhar para reduzir a mortalidade”, disse o parlamentar.
