
Você viu?
A diplomacia brasileira encheu os pulmões de ar, prendeu a respiração e aguarda o desfecho da crise que deve derrubar o atual chanceler Ernesto Araújo. Entre os diplomatas, o clima com a possível substituição é de "otimismo moderado".
"Trocar seis por meia dúzia não resolve, porque acima das pessoas precisamos mudar os rumos da política externa e parar de brigar com os Estados Unidos, a China e a Europa", argumentou fonte ligada ao Ministério das Relações Exteriores. "Pelo acúmulo de erros graves, creio que no mínimo 90% do Ministério das Relações Exteriores (MRE) fica feliz com a saída (do atual chanceler)", afirma. O descontentamento do corpo diplomático já não é segredo depois do vazamento de uma carta contendo críticas ao ministro Ernesto Araújo. Além do desgaste com o Senado federal , Araújo ainda é criticado pela falta de ação para conseguir vacinas para o Brasil. Enquanto o ministro tenta se manter no cargo , o MRE "está parado" a espera de um novo titular. Na manhã desta segunda-feira (29) ele participa de uma reunião com sua equipe convocada na noite de domingo.
Um nome de fora deve ser bem recebido, já que até o momento não surgiu dentro do Itamaraty uma alternativa com a necessária força interna e externa para reverter o quadro considerado de "terra arrasada" causado pelos dois anos da gestão de Araújo. Além disso, o ministério já foi liderado por não diplomatas antes, como Fernando Henrique Cardoso, Celso Lafer, José Serra, Olavo Setúbal e Abreu Sodré. Portanto, isso não seria surpresa para os diplomatas brasileiros.
Desafios
O próximo chanceler do Brasil vai precisar ter capacidade de articulação. Entre os desafios está a falta de recursos do MRE para fazer as mudanças necessárias em países estratégicos para restabelecer alianças. A atual gestão teve dificuldade em conseguir verbas junto à equipe econômica e gastou pouco por ingerência e desconhecimento de como aplicá-las. Falta dinheiro, segundo fontes do próprio ministério, para os deslocamentos que se fizerem necessários, ajudas de custo e passagens aéreas.
"Falta capacidade de resistência no diálogo com a área econômica. Estão mais preocupados com a sobrevivência pessoal e funcional do que com os rumos do MRE", critica. O descontentamento com a atual gestão, cada vez mais claro no Congresso e até em círculos próximos ao presidente da república, como os militares, traz esperança que em breve membros do MRE vão voltar a respirar, aliviados.

