Como forma de incentivar o diagnóstico e tratamento precoces de transtornos psiquiátricos, proposta que tramita na Assembleia Legislativa (Ales) cria semanas de conscientização sobre o assunto. O Projeto de Lei (PL) 49/2021 institui as semanas de conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e do Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD), além da Semana Estadual da Dislexia.
A proposta apresentada pelo deputado Bruno Lamas (PSB) atende demanda apresentada por um grupo de mães que têm filhos com esses transtornos e pedem mais visibilidade sobre o assunto. O texto define a semana do dia 13 de julho como ponto alto das ações de conscientização sobre TDAH e TOD. Já os debates sobre a dislexia deverão ser realizados na semana em que recai o dia 8 de outubro.
Para o autor, "a instituição de semanas estaduais de conscientização vem em boa hora, tendo em vista a necessidade de construirmos uma grande rede protetiva e de esclarecimento acerca do assunto, com amplo apoio e participação de todos os setores da sociedade”, afirma Lamas na justificativa do PL.
Transtornos
O TDAH e o TOD são inseridos no grupo dos chamados transtornos disruptivos. No primeiro caso, as principais características são falta de atenção, inquietude e impulsividade. Conforme a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), cerca de 5% das crianças sofrem com esse transtorno, que normalmente tem início na infância e pode acompanhar o indivíduo ao longo da vida.
De acordo com o Instituto de Neurociências, o TOD se caracteriza por acessos de raiva exagerada, sentimentos de vingança, intensa dificuldade em seguir regras e conselhos de outras pessoas, especialmente pais e autoridades. Ainda segundo o instituto, de cada dez crianças, uma possui o transtorno.
Já a dislexia é um transtorno no desenvolvimento neurobiológico que costuma afetar as habilidades de leitura, escrita e fala, por isso, costuma comprometer a capacidade de aprendizagem da pessoa que tem o transtorno.
Luta solitária
Acolhimento e políticas públicas voltadas para pessoas que têm algum desses transtornos estão entre as principais reivindicações das famílias capixabas que enfrentam esss quadros. Assim como o TDAH, o TOD pode causar prejuízos no aprendizado e, quanto mais cedo for detectado, menores as chances de evasão escolar.
O tratamento envolve ação multidisciplinar com atuação de profissionais como neurologista, pediatra, psiquiatra e psicólogos para terapias de manejo familiar. “Só conseguimos isso na rede particular. Os especialistas geralmente não atendem convênios e as terapias são muito caras. Sem contar que preciso buscar auxílio a 150 quilômetros de distância porque no interior temos poucas referências”, desabafa J.M.B, mãe de dois filhos com Transtorno Opositivo-Desafiador, que prefere não revelar a identidade para evitar que os filhos sofram preconceito.
