Os benefícios da touca térmica para mulheres que fazem quimioterapia contra o câncer de mama foram apresentados pela mastologista Danielle Chambô dos Santos. Na reunião virtual da Comissão de Saúde nesta terça-feira (30), ela explicou que o uso do acessório evita a queda dos cabelos de em média 70% das pacientes, contribuindo positivamente no tratamento.
“O fato de manter o cabelo e manter a autoestima elevada faz toda a diferença no tratamento”, revelou. De acordo com a médica, a principal diretriz norte-americana de tratamento de câncer de mama preconiza o uso da touca. “Isso não é uma coisa fútil”, atesta. O sucesso no uso do utensílio começa em 50% e pode chegar a até 92% dependendo da medicação administrada.
Danielle Chambô explicou como funciona: a touca diminui a temperatura do couro cabeludo e faz com que os vasos sanguíneos na região se contraiam, reduzindo a circulação de sangue. Isso faz com que a quimioterapia (medicação que causa a queda de cabelo) passe em menor quantidade onde está a raiz do cabelo, impedindo a queda.
Para que tenha sucesso, a crioterapia deve ser iniciada desde a primeira sessão de quimioterapia. A touca é usada 30 minutos antes da infusão do medicamento e permanece no paciente até em torno de 1h30 após o término da aplicação do quimioterápico. O segredo da eficácia do dispositivo é manter a temperatura do couro cabeludo constante, por volta de 18º.
Um aparelho é conectado às toucas (duas) de silicone, formadas por canais por onde passa um líquido. “Essa máquina é como se fosse um refrigerador portátil e ela faz uma troca com esse líquido”, detalha a especialista, “mantendo sempre constante a temperatura do couro cabeludo”, completa.
Conforme a médica, a Santa Casa de Misericórdia é o único hospital público do Brasil a ofertar esse serviço, que não é custeado nem por planos de saúde. Isso foi possível porque a compra do aparelho faz parte do projeto “Juntos pela Mama”, tocado por médicos do Serviço de Mastologia da unidade em parceria com um grupo de empresários que abraçaram a causa.
O modelo do aparelho adquirido é inglês e custa em torno de R$ 350 mil. É considerado um dos melhores do mercado, encontrado em hospitais como o Albert Einstein, em São Paulo, e em Harvard (nos EUA). A médica pediu ajuda da comissão para que a crioterapia seja ampliada para outros centros de referência e explicou que é contraindicada apenas para paciente com câncer hematológico.
Projeto
O “Juntos pela Mama”, iniciado em 2020, surgiu da necessidade de reduzir a fila de espera para cirurgia de câncer de mama de pacientes atendidos pela rede pública. Segundo a especialista, hoje esse tempo é de 5 meses e outros 18 meses para reconstrução do órgão. “Infelizmente a gente tem um disparate muito grande do tratamento que é feito nas pacientes particulares e nas pacientes atendidas pelo SUS”, frisou.
Além da touca térmica, a iniciativa visa arrecadar dinheiro para contemplar mais dois pontos. Um deles é a construção de um centro cirúrgico na Santa Casa destinado exclusivamente para zerar a fila de espera, o que inclusive diminuiria os custos do Estado por paciente, sem contar as melhores possibilidades de tratamento. O espaço deve ser inaugurado em abril.
A outra meta é implantar uma técnica de tratamento por meio de inserção de clipe metálico, que marca o tumor na mama. “Mesmo que o tumor desapareça com a quimioterapia, o clipe vai continuar ali, de forma que, se não tiver mais tumor, eu estou autorizada a fazer uma cirurgia pequena, retirando apenas a região que está o clipe”, detalhou.
De acordo com a mastologista, isso evita que as pacientes tenham de retirar a mama por completo quando a quimioterapia dá uma resposta completa ao acabar com a lesão.
O presidente do colegiado de Saúde, Doutor Hércules (MDB), reconheceu a importância do projeto e sugeriu a destinação de emendas parlamentares para ajudar na manutenção do serviço da Santa Casa. A medida recebeu o apoio dos deputados Dr. Emílio Mameri (PSDB) e Luciano Machado (PV).
