O tráfico de animais silvestres no Brasil ainda é uma realidade e está longe de acabar! Nas últimas semanas uma notícia tomou uma repercussão grandiosa: um jovem de 22 anos Pedro Henrique Krambeck foi picado por uma cobra da espécie Naja. O acidente ocorreu no Distrito Federal-DF no dia 07 de julho de 2020. O estudante de Medicina Veterinária Henrique Krambeck ficou internado por seis dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital particular no Gama. O jovem chegou a ficar em coma e necessitou receber soro antiofídico que foi cedido pelo Instituto Butantan, em São Paulo e recebeu alta no dia 13 de julho. As investigações apontam que o estudante esteja envolvido no tráfico de animais silvestres e foi multado em R$78 mil pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Outras 16 serpentes foram encontradas magras e com lesões nas escamas, que se acredita que pertencem ao estudante.

Naja — Foto: Fantástico, Disponível em: g1.com.br

A Naja é uma espécie de cobra exótica, ou seja, não pertence à fauna brasileira. Essa espécie é originária de regiões da África e da Ásia e é uma das cobras mais venenosas do mundo. A venda de animais silvestres é considerada um ato ilegal, com penalidades previstas em lei (Lei 9.605). Somente no Brasil, o tráfico de animais silvestres é responsável por retirar 38 milhões de animais silvestres por ano da natureza segundo os dados do IBAMA. E cerca de 4 milhões de animais são comercializados de forma ilegal. O tráfico de animais silvestres é a terceira maior atividade ilegal e lucrativa do mundo, ficando atrás somente do tráfico de drogas e de armas. O Brasil possui uma grande biodiversidade, concentrando uma riqueza de espécies e toda essa biodiversidade está sendo ameaçada por esse crime.

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Os animais que são apreendidos pelo IBAMA vítimas de tráfico chegam aos centros de triagens muitas vezes debilitados, muitos perdem a vida antes mesmo de terem a chance de serem salvos e muitas vezes, são espécies ameaçadas de extinção. Tirados ainda bebes da natureza os animais provenientes de apreensões de tráfico tem poucas chances de voltarem para seu habitat natural. Após as apreensões esses animais são encaminhados para os centros de triagens de animais silvestres (CETAS), onde passam por uma avaliação veterinária e são reabilitados para soltura (quando possível). Os indivíduos que não recuperam seus instintos naturais para sobreviver na natureza são encaminhados para zoológicos ou instituições autorizadas que tem condições de oferecer as necessidades básicas de sobrevivência da espécie, prezando pelo bem-estar e saúde dos animais, oferecendo uma melhor qualidade de vida para os indivíduos.

O caso do estudante de medicina veterinária que foi picado pela Naja, chama a atenção para como nós, humanos, estamos tratando a nossa biodiversidade. Animais exóticos (que não pertencem à fauna brasileira) são proibidos de serem comercializados e de serem mantidos em cativeiro no Brasil. Entretanto, muitas pessoas ainda desrespeitam a lei e criam esses animais ilegalmente em casa. Configurando um risco para a sua saúde e segurança e um risco para a nossa biodiversidade, além de ser uma falta de respeito com a natureza e todos os recursos ecossistêmicos que ela nos oferece. Animais exóticos quando introduzidos em outros habitats podem se tornar espécies invasivas, representando risco de suprimir a fauna nativa, além de transmitir novas doenças para a fauna e para os humanos. Lembramos aqui, que a atual pandemia que vivemos iniciou-se devido à comercialização ilegal de animais na China. O Brasil não está tão longe dessa realidade, pois, tem alimentado cada dia mais o comércio ilegal de fauna silvestre. Após o ocorrido com o jovem, algumas pessoas tem tomado consciência de suas atitudes e já realizaram entrega voluntária dos animais que mantinham em suas residências sem autorização. Espero que esse acontecimento alertem ainda mais pessoas e que a situação atual que presenciamos (pandemia), nos leve a tratar com maior respeito à natureza e repensar nossas atitudes.

Foto: Reprodução – Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/trafico-animais.htm

Mas, o que podemos fazer para ajudar a combater o tráfico de animais silvestres?

  • Não alimente o tráfico de animais silvestres. Colabore, não adquirindo animais vítimas de tráfico. Lembramos que existem criadouros legalizados pelo IBAMA que faz todo o controle da saúde dos animais e caso você queira ter um animal silvestre em casa, procure comprar as espécies que estão autorizadas, adquirindo-as desses criadouros.
  • Se você tem algum animal silvestre em casa sem autorização do IBAMA você pode estar entregando seu animal a um órgão ambiental como o IBAMA ou em um CETAS. A entrega voluntária do animal não acarretará nas punições previstas em lei.
  • Se você conhece algum local que comercializa animais silvestres sem autorização, denuncie, ligando para a polícia ambiental e/ou IBAMA (Linha Verde do IBAMA: 0800 61 8080).

Preze pelo bem-estar dos animais, Proteja a biodiversidade e Zele pela sua saúde e da população. Seja contra o Tráfico de Animais Selvagens!

 

Fontes bibliográficas:

G1.globo.com

Mundoeducacao.uol.com.br

Conexaoplaneta.com.br

Brasilescola.uol.com.br

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