Na semana em que foi celebrado o Dia do Empreendedorismo Feminino e também o Dia Nacional da Consciência Negra, a segunda rodada do Circuito de Palestras Banestes teve como tema: “Dinheiro preto: o futuro do mercado tem cor”. Na manhã desta quinta-feira (21), o público presente no Palácio Anchieta, em Vitória, acompanhou a palestra ministrada pela ativista e empreendedora social Priscila Gama.

A apresentação teve como discussão central o protagonismo e o empreendedorismo negro com a exposição de dados sobre o consumo da comunidade negra no Brasil, a circulação financeira e os impactos gerados nas periferias do País e da Grande Vitória. A discussão colocou em foco ainda a perspectiva de futuro para o consumo e também para a bancarização da parcela negra da sociedade.

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Ao relacionar em números a atividade empreendedora negra, a ativista apontou que “no Espírito Santo, 67,3% das empreendedoras são negras. E apesar da ancestralidade da prática empreendedora vinculada ao povo negro, mulheres negras, em geral, não sabem falar de dinheiro, por viverem na escassez de recursos e à margem da sociedade. Mas essa realidade vem se transformando e passamos a ter mais acesso a dados, a tecnologias e sermos precursoras de inovações”.

Priscila Gama reforçou ainda a importância das práticas inclusivas e da disponibilidade de crédito. “Precisamos vencer a dificuldade de acesso a linhas de crédito e de consciência financeira. Falar de dinheiro de forma positiva, sem tabu. Se a mulher negra não souber cuidar e cultivar o próprio dinheiro, dificilmente irá prosperar em seus negócios. Temos muito a avançar no diálogo sobre o empreendedorismo negro. Porém, é imprescindível que esse acesso aconteça também de forma consciente e com coerência, pois as marcas e instituições que entenderem a potência dessa parcela da sociedade tão descriminada, irão obter lucratividade. É importante frisar ainda que não esperamos caridade. Queremos acesso, queremos potencialização, queremos uma metodologia inclusiva na prática. Somos lucrativos para as empresas que nos enxergam”, enfatizou.

O evento foi aberto ao público e teve a participação do governador do Estado, Renato Casagrande, que parabenizou a iniciativa. “Ontem, nós lembramos o Dia Nacional da Consciência Negra e de alguma forma protestamos e comemoramos. Fizemos alguns atos no Palácio Anchieta com a presença dos movimentos da população negra, que protestaram por mais políticas para os negros. É fundamental que o tema seja debatido nessa visão econômica, pois a inclusão econômica é um sinal de oportunidade para as pessoas. Se você tem a chance de crescer economicamente, se você pode explorar um mercado, você tem chance de ser incluído”, afirmou.

Casagrande citou o envio à Assembleia Legislativa do Projeto de Lei que institui a reserva de 20% das vagas para negras e negros em concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública estadual. “Lógico que se a gente não precisasse de ações afirmativas e que não tivesse desigualdades, seria melhor”, ponderou.

O governador mencionou ainda a criação de uma comissão permanente de estudos afro-brasileiros na Secretaria de Educação (Sedu). “Temos que diminuir a distância que temos entre os brancos e os negros. Temos um trabalho gigantesco a fazer e estamos dispostos a fazê-lo”, disse.

O diretor-presidente do Banestes, José Amarildo Casagrande, frisou as ações do banco dos capixabas em prol da responsabilidade social. “O objetivo do Circuito é colocar em discussão temas relevantes para a população capixaba, e hoje, com a palestra da Priscila Gama, abordamos pontos importantes sobre responsabilidade social, empreendedorismo, bancarização, educação financeira e consumo de uma parcela da sociedade muito importante na economia, que é a comunidade negra no Brasil. Esses temas são de grande interesse do Banestes, pois somos o único banco presente em todos os municípios do Estado e próximo das comunidades. Queremos contribuir, cada vez mais, para o desenvolvimento local”, ressaltou.

O Circuito de Palestras Banestes tem como objetivo criar um fórum de discussões com temas relevantes à sociedade, aos negócios e ligados à atualidade. O intuito é promover na sociedade capixaba a possibilidade de fortalecer o senso crítico, alavancar a inovação, trabalhar temas como a disrupção, transformação digital e big data, além da economia, política, responsabilidade social, novas formas de trabalho, futuro dos negócios e outros que se relacionam à atmosfera atual.

Sobre Priscila Gama

Considerada a mulher negra mais influente do Espírito Santo, é um expoente do enfrentamento às violências contra a juventude e às mulheres negras através da cultura e empreendedorismo. Ativista e empreendedora social, consultora Jurídica especialista em Direito Público e Direitos Humanos, mestranda em Sociologia Política, pesquisadora e movimentadora da Economia Criativa Afrocentrada e Periférica, Priscila Gama coordena 12 Projetos de Ação Afirmativa.

Consultora de Inteligência em Resolutivas de Impacto Social, é CEO da Ojá Consultoria & Soluções em Tecnologia Social, desenvolve produtos de impacto social para a iniciativa privada em Estratégias Culturais de Inclusão e Equidades. Presidente do Instituto Das Pretas.Org. CEO do Festival Bekoo Das Pretas e A Tarja Preta Hip Hop Festival. TEdx Talk Speaker. Já fez trabalhos com o Sebrae, ColaborAmérica, Rede Mulher Empreendedora, Bankoo, Atitude Inicial, Fábrica Lab, Ufes, UVV, Instituto Feira Preta, STEX VIX e outros.

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