Dia de Cachoeiro: mesmo sem festa, tradição permanece

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As atividades presenciais alusivas ao Dia de Cachoeiro, celebrado em 29 de junho (segunda-feira), não poderão acontecer, em 2020, por conta da pandemia de Covid-19. Apesar disso, essa tradição de mais de 80 anos permanecerá como marca do município.

A Festa de Cachoeiro, que abrange o conjunto das celebrações relativos à data, aconteceu, pela primeira vez, em 1939, tendo como um dos principais idealizadores o advogado, jornalista e escritor Newton Braga (1911-1962). A proposta era a de realizar uma série de atividades cívicas e festivas num mês já marcado por celebrações religiosas tradicionais – 29 de junho é o Dia de São Pedro, considerado o padroeiro do município.

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Dentre outros fatores, também pesaram na escolha da data, segundo relatos históricos, a proximidade com as férias do meio do ano, facilitando a vinda de cachoeirenses que morassem fora da cidade, e o fato de coincidir com o inverno, com clima mais propício à realização de atividades ao ar livre.

Desde então, diversas atividades passaram a ser agregadas às celebrações oficiais (com ou sem a organização direta da prefeitura), como a Corrida de São Pedro, o Desfile Cívico Escolar, o Encontro dos Amigos da Praça Vermelha, o Baile de Gala e a programação de entretenimento no Parque de Exposições.

No período da Festa de Cachoeiro, também são concedidas comendas e honrarias a pessoas que marcaram a história da cidade. A principal delas, a de Cachoeirense Ausente Nº 1, foi concedida pela primeira vez em 1942, tendo como primeiro agraciado Heráclides Pereira Gonçalves. Em 1990, surgiu o título de Cachoeirense Presente Nº 1 (concedido pela Câmara Municipal, que escolheu, nesse ano, o advogado, jornalista e professor José Paineiras Filho).

No ano passado, a Prefeitura de Cachoeiro inovou ao instituir o título de Cachoeirense In Memoriam, oferecido a familiares de cidadãos ilustres do município que já faleceram.

“A Festa de Cachoeiro é muito completa, tem atividades para todos os gostos. Ela representa a manutenção de vínculos e a preservação da memória. O Desfile Cívico Escolar, para mim, tem sabor de infância, por eu ter também participado quando era criança. Fico triste pela situação atual, mas torcendo para que a pandemia passe logo e ano que vem a gente comemore em dobro”, afirma a nutricionista e professora Neuza Brunoro, eleita Cachoeirense Ausente Nº 1 em 2019.

Lives e atividades educativas

Algumas ações têm sido realizadas para não deixar a data passar totalmente em branco. A Secretaria Municipal de Educação (Seme) incluiu, nos últimos 15 dias, atividades relacionadas à história de Cachoeiro no material pedagógico complementar oferecido, pela internet, aos alunos da rede municipal de ensino, desde a pré-escola até os anos finais do ensino fundamental.

“Como neste ano não realizaremos o tradicional e sempre emocionante Desfile Cívico Escolar, nossa equipe pedagógica planejou, junto aos professores, atividades sobre Cachoeiro de Itapemirim, de acordo com a faixa etária dos estudantes e articuladas ao currículo vigente. A história e curiosidades da nossa cidade são abordadas, mesmo que a distância, para que essa data, tão significativa, não fique esquecida”, explica a secretária municipal de Educação, Cristina Lens Bastos.

Já a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Semcult) está dando apoio à realização, neste mês, de uma série de lives na página do Instituto Histórico e Geográfico de Cachoeiro no Instagram (@ihgcachoeiro).

Os últimos três bate-papos on-line, com convidados especiais, acontecerão nesta sexta (26) e sábado (27), às 20h, e na segunda-feira (29), às 17h, com os respectivos temas: “Festejando a história dos primeiros artistas cachoeirenses”: “110 anos da Ponte de Ferro”: e “A fé ‘da freguesia de São Pedro das Caxoeiras do Itapemirim’”.

“As lives sempre contam com a presença de um Cachoeirense Ausente ou de um Cachoeirense Presente e de pessoas ligadas à temática em questão. É uma forma de refletir sobre aspectos da cidade e marcar essa data tão importante de uma forma alternativa. A última live, no Dia de Cachoeiro, tratará da junção de entretenimento com celebração religiosa, um aspecto marcante da Festa de Cachoeiro”, afirma Lucimar Costa, subsecretário de Cultura e membro do Instituto Histórico e Geográfico.

“Além da pandemia, tivemos, neste ano, a maior enchente já registrada no município, causando estragos, inclusive em equipamentos históricos, como o Centro Operário que, tradicionalmente, recepciona o Cachoeirense Ausente. Vivemos um dos períodos mais desafiadores da história do município, mas vamos superar juntos para a cidade poder comemorar ano que vem. Para este ano, devemos celebrar a nossa própria saúde, permanecendo em casa”, completa o prefeito Victor Coelho.

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