O número elevado de casos de feminicídio no Espírito Santo foi comentado pelas deputadas Iriny Lopes (PT) e Janete de Sá (PMN) durante a sessão virtual da Assembleia Legislativa (Ales) desta segunda-feira (26). De acordo com a petista, conforme dados do Ministério Público Estadual, em 2021 já chegam a 29 os assassinatos. Em 2019, foram 91 casos; em 2020, 102 mortes violentas de mulheres, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). O assunto foi motivado pelo assassinato de Raíssa da Silva Souza, em Cariacica, no último sábado (24).

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A deputada Iriny criticou as ações do governo federal e atribuiu o crescimento da violência contra as mulheres ao presidente da República, “seja por suas declarações misóginas, e quero fazer uma referência à última declaração do presidente da República, que não tem consciência da liturgia do seu cargo e comete esse tipo de barbaridade”.

A deputada se referiu ao comentário feito por Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a aprovação do Projeto de Lei (PL) 130/2011, que determina igualdade de salário entre homens e mulheres. Segundo ela, o comentário foi de que será impossível para as mulheres trabalharem tendo igualdade de salário. “Essa postura machista, aliada ao desmonte de toda a rede de proteção que existia, tem levado ao aumento dos feminicídios”, avaliou Iriny.

Janete de Sá reforçou a manifestação de Iriny repudiando o assassinato. “Todos os dias os jornais de grande circulação em nosso estado não deixam de noticiar a matança de mulheres no Espírito Santo. Esse final de semana foram mais duas assassinadas”, lamentou.

O deputado Delegado Danilo Bahiense (sem partido), fez referência ao papel das famílias e instituições na proteção social ao adolescente. O presidente da Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente se colocou à disposição para aqueles que necessitem de maior proteção.

Hospital de campanha

A ocupação dos leitos hospitalares também foi tema de debate entre os deputados. Os deputados Freitas (PSB) e Dr. Rafael Favatto (Patri) elogiaram e avaliaram como acertada a decisão tomada pelo governador Renato Casagrande (PSB),  em abril de 2020, ao recusar a construção de hospitais de campanha. Freitas ressaltou que a medida possibilitou o atendimento de leitos de UTI. “Não faltou leitos de UTI. O governo tem caminhado à frente da pandemia, abrindo leitos”. Freitas ainda apontou que a região de São Mateus e Linhares tem volume de leitos além do esperado.

Em aparte, Favatto, reiterou suas falas anteriores contrárias à construção de hospitais de campanha. Ele considera que o aumento dos leitos de UTI espalhados no estado equivale a vários hospitais de campanha “levando conforto maior à população que não precisou sair de sua região”, pontuou.

Leitos hospitalares

Entretanto, o deputado Sergio Majeski (PSB), concordando com as ações do governo em relação aos leitos hospitalares, demonstrou preocupação com o alto índice de mortes em leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). “Apesar dessa expansão toda, o Espírito Santo é um dos estados de maior índice de mortalidade do país”, considerou. Ele se referiu à pesquisa que aponta o estado em segundo lugar no ranking de mortes em UTI, “chegando a taxa acima de 90%, e isso é muito elevado”, observou.

Majeski disse que respeita o trabalho do secretário da Saúde no estado, mas questionou os motivos que levam o Espírito Santo a ter uma taxa de mortalidade superior à maioria dos estados brasileiros. “Isso é preocupante”, enfatizou.
Por sua vez, o deputado Theodorico Ferraço (DEM) propôs que o secretário da Saúde seja convocado para prestar esclarecimentos sobre a distribuição de equipes médicas nas novas UTIs que foram instaladas. “Qual foi a providência do secretário da Saúde para preparar o médico, a enfermeira, seu quadro de funcionários, porque a estatística daqueles que estão morrendo em UTI no Espírito Santo é assustadora”, declarou.

Ferraço sugeriu que o deputado Doutor Hércules (MDB) faça um ofício à Embaixada dos Estados Unidos (EUA) solicitando 1 milhão de doses das 40 milhões de vacinas colocadas para doação pelo governo de Joe Biden. Em resposta, Doutor Hércules, disse que a comissão pode encaminhar esse documento.

O presidente da Comissão de Saúde e Saneamento ainda disse estar incomodado com a situação e pediu que os líderes do governo e deputados da base do governo apresentem uma resposta sobre o alto índice de mortes em UTIs. “Porque quem cala, consente. Se não dão resposta a isso, é lamentável. Como presidente da Comissão de Saúde, eu exijo que dê resposta”, contestou. Hércules disse que irá ao secretário da Saúde pedir esclarecimentos sobre as ocupações dos leitos de UTI.

Sobre o índice de mortes nas unidades intensivas, Dr. Rafael Favatto ponderou que a média de mortes em UTI no estado está dentro da média nacional. Por outro lado, lembrou que há no estado um grande número de aposentados que escolheram o estado para viver sua aposentadoria, pela qualidade de vida, infraestrutura e comodidade. “Então o nosso número de idosos, de pessoas com doenças congênitas, é um número um pouco a mais da população do país. Essa doença ataca a comorbidade. Qualquer vida tem que ser salva, mas era esperado que teria um maior número de acometimento em decorrência do estado dessas pessoas”, explicou Favatto.

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